Marcação a mercado: o que é, como funciona e por que o preço de um título muda
Escrito por agente redator (IA) · Fatos checados por agente checador (IA) contra fontes oficiais em 15/10/2026 · Revisão humana: pendente · Como este artigo é feito
O que é
Marcação a mercado é a prática de valorizar um título pelo preço que o mercado pagaria por ele hoje. O valor que ele terá no vencimento fica de fora dessa conta. Em inglês, usa-se mark to market.
O saldo de um título do Tesouro Direto no extrato acompanha esse preço 1. O Portal do Investidor, da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), descreve a marcação como um ajuste diário, que leva em conta as condições da economia e as mudanças nas taxas de juros. Por isso, antes do vencimento, o valor do extrato pode estar acima ou abaixo do que o investidor esperava 2.
Isso não quer dizer que o título "perdeu valor" de forma definitiva. Segundo o Portal, a variação só pesa para quem se desfaz do título antes do prazo final 2.
Como funciona
A ideia central é que taxa e preço andam em sentidos opostos. Quando os juros de mercado sobem, o preço dos títulos cai; quando descem, o preço sobe 1. Um título prefixado promete pagar um valor conhecido numa data futura. O preço de hoje é esse valor "trazido para o presente" por uma taxa de desconto. Quanto maior a taxa, menor o preço de hoje.
O passo a passo:
- Na emissão, o título é vendido a uma taxa que o mercado pratica naquele dia.
- Depois da compra, as taxas de mercado para o mesmo prazo mudam. Isso acontece, por exemplo, quando o mercado revê o que espera da [[selic]], a taxa básica de juros, ou da inflação.
- Quem quiser comprar um título igual, com o mesmo vencimento, passa a pagar a taxa nova.
- O título antigo, com a taxa antiga, só atrai comprador se o preço se ajustar até que o retorno dele iguale o da taxa nova.
- O preço ajustado é o preço de mercado. Na venda antecipada, o Tesouro Nacional recompra o título com base nesse valor, e por isso o retorno pode ser diferente do combinado. Só quem mantém o título até o vencimento recebe a rentabilidade contratada na compra 1.
A taxa de juros de um mesmo país muda conforme o prazo. Essa relação entre prazo e taxa é a [[curva-de-juros]]. A marcação usa a taxa do prazo que falta para o vencimento do título.
Como calcular o preço de mercado de um título
Para um título que paga um único valor no vencimento, como o Tesouro Prefixado, cuja página oficial fala em fluxo de pagamento único no vencimento 3, a lógica do preço é a de valor presente:
Preço = Valor no vencimento / (1 + taxa) elevado ao número de anos que faltam
- Valor no vencimento: o que o título paga ao fim do prazo.
- taxa: taxa de juros de mercado ao ano, para o prazo que falta, em forma decimal (12% = 0,12).
- anos que faltam: o prazo restante, em anos.
Esta é a conta de desconto a valor presente em sua forma geral. O cálculo oficial do Tesouro usa convenções próprias de contagem de prazo e de arredondamento, que este texto não reproduz. Use a fórmula para entender o mecanismo, não para reproduzir centavos.
Na prática: um título de R$ 1.000,00 vendido um ano antes
Os números abaixo são hipotéticos: as taxas não são as de nenhum título real nem a Selic. Servem só para mostrar o mecanismo, antes de imposto, custódia e spread.
Considere um título que paga R$ 1.000,00 em dois anos e que é comprado a 12% ao ano.
- Preço pago: 1.000 / (1,12)² = 1.000 / 1,2544 = R$ 797,19.
Um ano depois, falta um ano. O preço de mercado depende da taxa daquele dia:
| Taxa de mercado para 1 ano | Cálculo | Preço | Resultado sobre R$ 797,19 |
|---|---|---|---|
| 12% (igual à da compra) | 1.000 / 1,12 | R$ 892,86 | +12,00% |
| 14% (taxas subiram) | 1.000 / 1,14 | R$ 877,19 | +10,04% |
| 10% (taxas caíram) | 1.000 / 1,10 | R$ 909,09 | +14,04% |
Quem esperou o vencimento recebe R$ 1.000,00 nos três casos, ou seja, os 12% ao ano contratados. Quem vendeu um ano antes recebe um valor diferente conforme o dia. Os números são ilustração, não projeção.
O prazo importa. Com as taxas passando de 12% para 14%, um título com 1 ano pela frente cai cerca de 1,75% (de R$ 892,86 para R$ 877,19). Um título com 10 anos pela frente cai cerca de 16,2% (de R$ 321,97 para R$ 269,74, pelo mesmo cálculo). Quanto mais longo o prazo, mais o preço reage.
Atenção: a venda pode render menos do que foi pago. Se as taxas fossem a 14% logo depois da compra, com dois anos ainda pela frente, o preço seria 1.000 / 1,14² = R$ 769,47, abaixo dos R$ 797,19 pagos. A perda de capital em venda antecipada é possível.
Quais títulos oscilam mais e quais menos
- Títulos prefixados: a taxa é fixada na compra. O preço de mercado varia com as taxas de juros. A página do Tesouro Direto sobre o Prefixado menciona o impacto da marcação a mercado em caso de venda antecipada 3.
- Títulos atrelados à inflação: pagam um valor corrigido por um índice de preços mais uma taxa. O preço também cai quando os juros de mercado sobem, e sobe quando eles descem 1.
- Tesouro Selic: o Portal do Investidor informa que o preço dele sofre pouca oscilação diária 2.
Marcação a mercado ou valor na curva: o que muda
Marcação a mercado costuma ser confundida com "rentabilidade na curva", que é o valor do título calculado pela taxa contratada ao longo do tempo.
| Ponto | Marcação a mercado | Valor "na curva" |
|---|---|---|
| O que mede | Preço que o mercado pagaria hoje | Valor pela taxa contratada na compra |
| Muda com as taxas de mercado? | Sim, todo dia | Não |
| Quando importa | Venda antes do vencimento | Manutenção até o vencimento |
| Pode ficar abaixo do valor aplicado? | Sim | Não, se o emissor pagar |
Nenhuma coluna é "melhor": são duas formas de olhar o mesmo título. Cada uma responde a uma pergunta diferente.
O que a marcação a mercado mostra e o que ela custa
Vantagens da marcação a mercado
- Mostra o valor de saída que existe de fato, naquele dia, em vez de um valor que só se realiza no vencimento.
- Dá transparência: o saldo do extrato mostra o efeito das mudanças nas taxas 1.
- Impede que o saldo pareça mais estável do que o título realmente é.
Quando o preço de mercado pesa contra
- O preço pode ficar abaixo do valor aplicado. Quem precisar do dinheiro antes do prazo pode vender com perda.
- O saldo do extrato oscila, o que pode assustar quem não conhece o mecanismo, mesmo que o emissor seja o Tesouro Nacional.
- Títulos mais longos oscilam mais.
- Custos que existem só na venda antecipada: o spread aplicado pelo Tesouro ao preço de recompra 1, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) se o resgate ocorrer em menos de 30 dias 1 e, por causa do prazo menor, uma alíquota de Imposto de Renda que pode ser mais alta.
- Custos que valem em qualquer resgate, inclusive no vencimento: a taxa de custódia da B3 e o Imposto de Renda sobre o rendimento 1.
- O preço do dia depende do horário da venda e há datas em que o resgate fica suspenso (veja abaixo) 1.
Venda antecipada no Tesouro Direto: regras, impostos e garantia
O Tesouro Nacional emite e recompra os títulos do Tesouro Direto, e a B3 faz a custódia 1. Em outubro de 2026, as regras de venda antecipada, conforme a página oficial de regras 1, eram:
- Preço: o Tesouro recompra o título pelo valor de mercado do momento. A página informa que o preço de recompra é calculado pelo Tesouro Nacional com um spread (uma taxa adicional) e que o retorno pode ser diferente do combinado. Se o título for mantido até o vencimento, o retorno é o acordado na compra 1.
- Horário: em dias úteis, das 9h30 às 18h, o resgate usa o preço e a taxa do momento. Das 18h às 5h, em fins de semana e em feriados, usa os de abertura do próximo dia útil. Entre 5h e 9h30 dos dias úteis não há operação, porque o sistema passa por manutenção 1.
- Suspensão: nos títulos que pagam juros semestrais (NTN-B, NTN-C e NTN-F), o resgate é suspenso 2 dias úteis antes do pagamento dos juros 1.
- Custódia: taxa da B3 de 0,2% ao ano, proporcional ao tempo, cobrada na venda antecipada, no vencimento e nos pagamentos de juros. No Tesouro Selic, não há cobrança até R$ 10.000,00 por CPF; acima disso, só sobre o excedente 1.
- Imposto de Renda: alíquota regressiva sobre o rendimento, contada a partir da data de liquidação. A Lei 11.033/2004, art. 1º, fixa 22,5% para prazo de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias 4. A página do Tesouro Direto traz as mesmas alíquotas, mas escreve a última faixa como "acima de 721 dias" 1. As duas redações divergem nesse ponto; a lei é a base legal. Regra em vigor em 15 de outubro de 2026, conforme o texto atualizado da lei, que não registra alteração nesses incisos 4; consulte a fonte para mudanças.
- IOF: incide sobre resgates em menos de 30 dias, mas a página consultada não informa a alíquota 1.
Quanto ao pagamento, o Portal do Investidor informa que o Tesouro Nacional garante o pagamento da rentabilidade contratada na compra a quem mantém o título até o vencimento 2. A garantia vale para o vencimento. Ela não fixa o preço de venda antes dele.
Regras e alíquotas mudam. Confira a página oficial para a versão vigente.
Perguntas frequentes
Por que o saldo do meu título do Tesouro Direto caiu?
O preço acompanha o mercado. Se as taxas de juros subiram desde a compra, o preço de um título prefixado já emitido cai 1. O Portal do Investidor explica que o valor do extrato antes do vencimento pode estar maior ou menor que o esperado 2.
Se o saldo caiu, eu já perdi dinheiro?
A queda só se realiza se o título for vendido. Quem mantém até o vencimento recebe a rentabilidade contratada, segundo o Portal do Investidor 2. Mas, se for preciso vender antes, o preço de mercado do dia vale.
O Tesouro Selic também tem marcação a mercado?
Sim, mas a oscilação diária é pequena, segundo o Portal do Investidor 2. Pouca oscilação não é ausência de oscilação.
Qual o horário que vale para o preço de venda?
Em dias úteis, das 9h30 às 18h, vale o preço do momento da transação. Das 18h às 5h, em fins de semana e em feriados, valem os preços de abertura do próximo dia útil 1.
Para fechar
Marcação a mercado mostra o preço que o mercado pagaria pelo título hoje. Ela explica por que o saldo oscila e por que o resultado de uma venda antecipada pode ser diferente da taxa contratada, para mais ou para menos, já com spread e outros custos. A ideia que une tudo é que, entre a compra e o vencimento, o preço depende das taxas de juros do dia. Para entender o que move essas taxas, veja [[selic]] e [[curva-de-juros]]; para os títulos em si, veja [[tesouro-direto]] e [[venda-antecipada-tesouro]].
Verbetes do glossário: Curva de juros Selic
Fontes
- Tesouro Direto: Regras e Regulamento · consultado em 15/10/2026
- Portal do Investidor (CVM): Títulos Públicos · consultado em 15/10/2026
- Tesouro Direto: Tesouro Prefixado · consultado em 15/10/2026
- Lei 11.033/2004, art. 1º, incisos I a IV (texto atualizado, Câmara dos Deputados) · consultado em 15/10/2026
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Escrito em 15/10/2026 · checado em 15/10/2026 · versão 3