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Juros compostos: o que são, como funcionam e como fazer a conta

Escrito por agente redator (IA) · Fatos checados por agente checador (IA) contra fontes oficiais em 15/10/2026 · Revisão humana: pendente · Como este artigo é feito

O que é

Juros compostos são o sistema de juros em que a taxa incide sobre o capital inicial e também sobre os juros acumulados nos períodos anteriores 1. Por isso o efeito é chamado de "juros sobre juros". O montante cresce de forma exponencial, isto é, a cada período o aumento em reais é maior que o do período anterior 1.

Juro é o preço do dinheiro no tempo. Quem empresta cobra juros; quem aplica recebe juros. A taxa diz quanto esse preço vale em cada período, por exemplo 1% ao mês. A palavra "composto" indica que, ao fim de cada período, os juros são somados ao saldo e passam a render também.

O mecanismo é neutro. Ele age a favor de quem tem dinheiro aplicado e contra quem tem dívida. A conta é a mesma nos dois casos.

Como funciona

Imagine um saldo de R$ 1.000,00 e uma taxa hipotética de 10% ao período.

  1. No primeiro período, os juros são 10% de R$ 1.000,00, ou seja, R$ 100,00. O saldo vai a R$ 1.100,00.
  2. No segundo período, os juros são 10% de R$ 1.100,00, ou seja, R$ 110,00. O saldo vai a R$ 1.210,00.
  3. No terceiro período, os juros são 10% de R$ 1.210,00, ou seja, R$ 121,00. O saldo vai a R$ 1.331,00.

Os juros foram de R$ 100,00, R$ 110,00 e R$ 121,00. Cada parcela é maior porque a base de cálculo cresceu. É isso que define o regime composto: a base não fica parada.

No regime de juros simples, a taxa incide sempre sobre o valor original 2. Com os mesmos R$ 1.000,00 a 10%, os juros seriam R$ 100,00 em cada período, e o saldo chegaria a R$ 1.300,00 no terceiro (conta nossa: 1.000 × (1 + 0,10 × 3) = 1.300). A diferença para os R$ 1.331,00 do regime composto, R$ 31,00, é o efeito dos juros sobre juros.

Como calcular juros compostos

A fórmula do montante é 1:

M = C × (1 + i)^n

  • M é o montante, o valor final.
  • C é o capital inicial, o valor que começou a render.
  • i é a taxa de juros por período, escrita em decimal (5% vira 0,05; 10% vira 0,10).
  • n é o número de períodos.

Duas regras evitam erro:

  • A taxa e o período precisam estar na mesma unidade. Se a taxa é ao mês, n conta meses. Se é ao ano, n conta anos.
  • Taxa mensal não é taxa anual dividida por 12. Uma taxa de 1% ao mês, composta por 12 meses, dá 1,01^12 = 1,1268, ou seja, cerca de 12,68% ao ano, e não 12%. Para o caminho inverso, a taxa mensal equivalente a 12% ao ano é 1,12^(1/12) − 1, cerca de 0,95% ao mês. Contas nossas, a partir da fórmula 1.

Os juros pagos ou recebidos no total são J = M − C.

Na prática: R$ 10.000,00 a 1% ao mês e outros casos

Os valores abaixo são hipotéticos. Não são a taxa de nenhum produto real nem a Selic, a taxa básica de juros da economia. Servem só para mostrar a conta. Cálculos nossos, feitos em 14 de outubro de 2026 pela fórmula M = C × (1 + i)^n 1.

Caso 1: R$ 10.000,00 a 1% ao mês, por 12 meses

  • M = 10.000 × (1,01)^12
  • (1,01)^12 = 1,126825
  • M = R$ 11.268,25, com juros de R$ 1.268,25.
  • Em juros simples, seriam 12 × R$ 100,00 = R$ 1.200,00 de juros, e o montante seria R$ 11.200,00.

Caso 2: o efeito do prazo, com R$ 1.000,00 a 10% ao ano

PrazoMontante (juros compostos)Montante (juros simples)
3 anosR$ 1.331,00R$ 1.300,00
10 anosR$ 2.593,74R$ 2.000,00
20 anosR$ 6.727,50R$ 3.000,00
30 anosR$ 17.449,40R$ 4.000,00

A diferença entre os dois regimes é pequena nos primeiros anos e grande nos últimos. Em 30 anos, o saldo composto é cerca de 4,4 vezes o simples. A curva só fica íngreme com muito tempo e taxa constante, duas condições que a vida real raramente entrega.

Caso 3: aportes mensais

Quem deposita R$ 200,00 ao fim de cada mês, a 1% ao mês, por 12 meses, soma R$ 2.400,00 de depósitos. A conta de aportes periódicos é a soma de 12 contas como a do caso 1, cada uma com um prazo diferente: 200 × [(1,01^12 − 1) ÷ 0,01] = 200 × 12,682503, cerca de R$ 2.536,50. O ganho vem da soma de todos os depósitos com os seus respectivos juros.

Caso 4: a mesma conta numa dívida hipotética

Uma dívida de R$ 1.000,00 com juros de 10% ao mês, sem nenhum pagamento, chega a:

  • 6 meses: 1.000 × 1,1^6 = R$ 1.771,56;
  • 12 meses: 1.000 × 1,1^12 = R$ 3.138,43.

Esse exemplo é extremo de propósito. Ele mostra que taxas mensais altas, sustentadas por muitos meses, fazem o saldo devedor crescer muito mais depressa do que a intuição sugere. Ele não descreve o cheque especial nem o rotativo do cartão de crédito, que têm limites regulatórios (seção "Limites e regras no Brasil", abaixo).

Importante: estes casos são ilustrações matemáticas, não projeção de rendimento nem de custo de qualquer produto.

Capitalização, taxa nominal, efetiva e real

  • Capitalização: é o momento em que os juros se juntam ao saldo. Pode ser mensal, diária ou anual. Com a mesma taxa anual nominal, capitalizar com mais frequência leva a um montante maior. Exemplo nosso: 12% ao ano capitalizados uma vez por ano rendem 12% em um ano; capitalizados todo mês (1% ao mês), rendem 12,68%.
  • Taxa nominal e taxa efetiva: uma oferta de "12% ao ano com capitalização mensal", pela convenção usual, quer dizer 1% ao mês. Compondo 12 meses, o saldo cresce 12,68% no ano (conta nossa). Esse 12,68% é a taxa efetiva; o 12% do anúncio é a nominal 3. Por isso duas taxas só se comparam depois de convertidas para o mesmo período e a mesma capitalização. O tema tem artigo próprio: [[taxa-nominal-e-efetiva]].
  • Taxa real: é a taxa depois de descontar a [[inflacao]], o aumento geral dos preços. Detalhado em [[juro-real]]. Se algo rende 10% e a inflação do período foi 5%, o ganho real é (1,10 ÷ 1,05) − 1, cerca de 4,76% (conta nossa).

Juros compostos ou juros simples: o que muda

CaracterísticaJuros compostosJuros simples
Base de cálculoSaldo acumulado (capital mais juros) 1Sempre o capital inicial 2
CrescimentoExponencial 1Linear: o montante cresce proporcionalmente ao tempo 2
FórmulaM = C × (1 + i)^n 1M = C + J, com J = C × i × t 2; ou seja, M = C × (1 + i × t)
Efeito do prazo longoDiferença grande para o simplesSoma constante

A tabela compara a mecânica de cada regime e não diz qual é melhor, porque isso depende de qual produto usa cada regime e de quem está do lado do credor ou do devedor.

O que os juros compostos permitem e o que trazem de risco

O que o mecanismo permite

  • Quem mantém um valor aplicado por muito tempo recebe juros também sobre os juros anteriores, e isso aumenta o saldo em ritmo crescente 1.
  • A fórmula é simples e permite comparar duas taxas e dois prazos na mesma base.
  • Aportes regulares se somam, e cada um passa a render a partir da data em que entrou.

O que o mesmo mecanismo traz de risco

  • Em dívida, trabalha contra quem deve. Dívidas de cartão de crédito e de cheque especial têm juros compostos, e o saldo pode crescer rapidamente 1. Há limites regulatórios para esses dois produtos, descritos na seção seguinte.
  • A taxa não é constante. Na renda fixa pós-fixada a taxa acompanha um índice e muda; na renda variável não há taxa conhecida. Os exemplos acima usam taxa fixa por simplicidade.
  • A inflação corrói o ganho. Um montante maior em reais pode comprar menos, se os preços subirem mais que o rendimento.
  • Perda de capital. Em renda variável, o valor pode cair, e a fórmula não se aplica. Na renda fixa, quem resgata um título do Tesouro Direto antes do vencimento tem o título recomprado pelo valor de mercado do dia, e o retorno pode ser diferente do contratado na compra 7. Em títulos de emissores privados há ainda o risco de crédito, o de quem tomou o dinheiro não honrar a obrigação 8.
  • Custos e impostos reduzem o resultado. A fórmula mostra o bruto; taxas e imposto, quando existem, vêm depois.

Limites e regras no Brasil

Juros compostos é um conceito matemático universal; imposto e fiscalização dependem do produto e são tratados no artigo de cada um. Já os limites de juros de dois produtos de crédito merecem registro aqui. Regras em vigor em outubro de 2026; consulte as fontes para mudanças.

  • Cheque especial: no cheque especial de contas de pessoas físicas e de microempreendedores individuais (MEI), os juros remuneratórios estão limitados a 8% ao mês, por resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) 4.
  • Rotativo e parcelamento da fatura do cartão: o art. 28 da Lei 14.690/2023 mandou os emissores de cartão propor ao CMN limites de juros e encargos. Se os limites não fossem aprovados em 90 dias da publicação da lei, o total de juros e encargos não poderia exceder o valor original da dívida (§ 1º), e o § 2º estende esse teto a quem deixar de aderir à autorregulação 5. A lei é de 3 de outubro de 2023 5; o teto vale para operações feitas depois dos 90 dias, isto é, a partir do início de janeiro de 2024 6. O CMN regulamentou a regra na Resolução 5.112/2023, que incluiu os arts. 2º-A a 2º-D na Resolução 4.549/2017 6. O "valor original da dívida" é apurado a cada nova operação de financiamento da fatura, de modo que o teto vale por operação, e não para a fatura inteira ao longo do tempo 6. Quando o saldo do rotativo é parcelado, o teto continua contado sobre o valor inicial do rotativo e desde a data em que ele começou 6.

Esses tetos não eliminam o efeito dos juros compostos. Eles apenas limitam até onde a dívida pode chegar nesses dois produtos.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre juros simples e juros compostos?

No simples, a taxa incide sempre sobre o valor original 2. No composto, incide sobre o saldo acumulado, que inclui os juros anteriores 1.

Como calcular juros compostos?

Use M = C × (1 + i)^n, com a taxa em decimal e o prazo na mesma unidade da taxa 1. Em R$ 1.000,00 a 10% ao ano por 3 anos, o resultado é R$ 1.331,00 1.

Taxa de 1% ao mês é o mesmo que 12% ao ano?

Não. Compondo 1% por 12 meses, o resultado é cerca de 12,68% ao ano (conta nossa pela fórmula 1). Multiplicar 1% por 12 dá 12% ao ano, a chamada taxa nominal (convenção da matemática financeira; conta nossa). A taxa anunciada nem sempre mostra o que a aplicação rende de fato 3.

Por que dívida de cartão e de cheque especial cresce tão rápido?

Porque os juros do período entram no saldo devedor e rendem juros no período seguinte 1. Mas há limites: no cheque especial de contas de pessoas físicas e de MEI, os juros remuneratórios estão limitados a 8% ao mês 4; no rotativo e no parcelamento da fatura do cartão, juros e encargos somados, em cada operação, não podem passar do valor original da dívida, para operações feitas desde o início de 2024 56. Regra em vigor em outubro de 2026; consulte as fontes para mudanças.

Os juros compostos valem só para investimentos?

Não. O mesmo mecanismo aparece em aplicações e em dívidas, como empréstimos e financiamentos 1.

Para fechar

Juros compostos são a conta de juros sobre juros: a base cresce a cada período e o saldo acelera com o tempo 1. Essa aceleração aparece para quem aplica e para quem deve, e só vale com taxa constante, sem considerar inflação, custos, impostos e o risco de perda do valor aplicado. Para os termos que complementam este, veja [[inflacao]] e [[juro-real]].

Verbetes do glossário: Juro real Inflação Selic

Fontes

  1. B3, Bora Investir: Glossário, Juros compostos · consultado em 14/10/2026
  2. B3, Bora Investir: Glossário, Juros simples (publicado em 19/11/2025) · consultado em 15/10/2026
  3. B3, Bora Investir: Glossário, Juros nominais (publicado em 19/11/2025) · consultado em 15/10/2026
  4. Banco Central do Brasil, Resolução CMN 4.765, de 27 de novembro de 2019 (cheque especial) · consultado em 14/10/2026
  5. Lei 14.690, de 3 de outubro de 2023, art. 28, caput e §§ 1º e 2º (cópia oficial no Anvisa Legis; a página do Planalto não abriu em 15/10/2026) · consultado em 15/10/2026
  6. Banco Central do Brasil, Resolução CMN 4.549, de 26 de janeiro de 2017, texto consolidado com as alterações da Resolução CMN 5.112, de 21 de dezembro de 2023 (arts. 2º-A a 2º-D) · consultado em 14/10/2026
  7. Tesouro Direto: Regras e Regulamento (seção "Como resgatar?") · consultado em 15/10/2026
  8. B3, Bora Investir: Glossário, Risco de crédito (publicado em 22/06/2023) · consultado em 15/10/2026

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Escrito em 15/10/2026 · checado em 15/10/2026 · versão 6