Tabuleiro TropicalSala de situação do Brasil

Fundos de ações: o que são, como funcionam e quais os riscos

Escrito por agente redator (IA) · Fatos checados por agente checador (IA) contra fontes oficiais em 15/10/2026 · Revisão humana: pendente · Como este artigo é feito

O que é

Fundo de ações é um fundo de investimento que concentra o dinheiro dos cotistas em renda variável, isto é, em investimentos cujo retorno não é conhecido de antemão. O Portal do Investidor, mantido pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), descreve esse tipo de fundo como focado no mercado de renda variável 1.

A regra básica é um piso: o fundo precisa manter no mínimo 67% do patrimônio em ações negociadas em bolsa, bônus ou recibos de subscrição 1. O restante pode ficar em outros ativos, conforme o regulamento. O nome "de ações" não quer dizer que 100% da carteira está em ações.

Em vez de escolher empresa por empresa, o investidor compra cotas, pequenas frações do patrimônio do fundo. Um gestor decide quais ações entram e saem. A alternativa é a compra direta de ações, tema de [[acoes]], na qual o investidor mesmo escolhe os papéis.

Como funciona

Um fundo é um condomínio: muitos investidores juntam recursos, e um gestor aplica esse dinheiro segundo a política de investimento do regulamento 1. O valor da cota é calculado diariamente a partir do valor dos ativos da carteira e pode subir ou cair 1.

O caminho do dinheiro tem três datas, e elas variam por fundo:

  • Aplicação: o investidor entrega o dinheiro e recebe cotas.
  • Data de conversão: é o dia em que o fundo calcula o valor da cota usada no resgate, conforme o regulamento 1.
  • Data de pagamento: é o dia em que o dinheiro cai na conta 1.

Entre o pedido de resgate e o dinheiro na conta pode haver um intervalo. O Portal não informa número de dias, porque ele depende do regulamento de cada fundo 1.

O fundo pode ser de classe aberta, em que se aplica e se resgata nos prazos do regulamento, ou de classe fechada, em que o dinheiro só volta no fim do prazo de duração. Antes disso, a saída é vender as cotas no mercado secundário, em geral na bolsa 1.

Dois documentos mostram o que o fundo faz de fato: o regulamento e a lâmina de informações básicas. A lâmina resume público-alvo, estratégia, custos e os cinco principais riscos 1.

O que o gestor pode fazer: indexado ou ativo

Um fundo de ações pode ter um indicador de referência, como o [[ibovespa]]. Na gestão ativa, o gestor decide quais papéis comprar e vender. A taxa de performance, descrita abaixo, é cobrada quando o fundo supera o indicador de referência 1.

Já os ETFs têm gestão passiva: são fundos com cotas negociadas em bolsa, atrelados a um índice de referência, e o gestor apenas reproduz a composição do índice em vez de tentar superá-lo 5; veja [[etfs]]. Em qualquer dos casos, o resultado pode ficar acima ou abaixo do indicador, e nenhuma forma de gestão elimina o risco de queda das ações.

Quanto custa: as taxas

O Portal do Investidor lista quatro taxas possíveis em um fundo 1:

  • Taxa de administração: remunera o administrador pelos serviços legais e de manutenção.
  • Taxa de gestão: remunera o gestor pelas escolhas de investimento.
  • Taxa máxima de distribuição: limite do que o fundo paga a quem vendeu as cotas.
  • Taxa de performance: paga ao gestor apenas quando o fundo supera um indicador de referência, como o CDI ou o Ibovespa.

O Portal não traz percentuais, que constam do regulamento e da lâmina de cada fundo 1. Se o fundo usa uma taxa global, ele deve divulgar em seu site um sumário de remuneração 1. Mais detalhes em [[taxas-de-administracao-e-performance]].

As taxas são cobradas mesmo quando as ações caem. Elas são descontadas do patrimônio do fundo, e o cotista as percebe como um resultado menor.

Na prática: R$ 10.000 em um fundo hipotético por um ano

Os números abaixo são inventados para mostrar a mecânica. O fundo não existe, e as taxas são hipóteses, não valores típicos. Para simplificar, a taxa de gestão e administração somadas é de 2,00% ao ano, subtraída do resultado, e não há taxa de performance.

Cenário A: a carteira de ações sobe 20,00% em um ano.

  1. Resultado depois das taxas: 20,00% − 2,00% = 18,00%.
  2. R$ 10.000 viram R$ 11.800,00. O ganho é de R$ 1.800,00.
  3. Imposto de Renda de 15% sobre o ganho, no resgate: 0,15 × R$ 1.800,00 = R$ 270,00 24.
  4. Valor líquido: R$ 11.800,00 − R$ 270,00 = R$ 11.530,00.

Cenário B: a carteira de ações cai 10,00% em um ano.

  1. Resultado depois das taxas: −10,00% − 2,00% = −12,00%.
  2. R$ 10.000 viram R$ 8.800,00. A perda é de R$ 1.200,00.
  3. Não há ganho, então não há Imposto de Renda no resgate.

A Lei 14.754/2023 permite compensar a perda apurada num resgate ou numa amortização com ganhos posteriores no mesmo fundo ou em outro do mesmo administrador, sob o mesmo regime de tributação, desde que a perda conste do controle do administrador (art. 17, §§ 6º e 7º). O art. 24, § 2º, manda aplicar essas regras aos fundos tributados pelo art. 24, caso do FIA que cumpre a lei 2. O cálculo real depende do regulamento e da apuração do administrador.

Os dois cenários são ilustração, não projeção. Eles mostram que as taxas incidem nos dois casos e que a perda de capital é possível.

Fundo de ações ou ação direta: o que muda

AspectoFundo de açõesAções compradas diretamente
Quem escolhe os papéisO gestor, dentro da política do regulamento 1O próprio investidor
Como se participaPor cotas do fundo 1Por ações de cada empresa
Custos do fundoTaxas de administração, gestão e, às vezes, performance 1Não há taxa de fundo; os custos de negociação dependem da instituição escolhida
Imposto15% sobre o ganho no resgate, se o fundo cumpre a lei; fora do come-cotas 24Regras próprias; veja [[ir-sobre-acoes-e-isencao-de-20-mil]]

A comparação mostra diferenças de funcionamento, não de qualidade. Nos dois casos o preço pode cair, e fundos de investimento não têm garantia do FGC 1.

Vantagens e riscos

O que a estrutura permite

  • O investidor participa de uma carteira de várias ações com um único produto, e uma pessoa profissional administra a carteira em nome do grupo 1.
  • A regra de 67% define um piso de exposição a ações, o que dá uma ideia do tipo de risco assumido 1.
  • A portabilidade permite levar as cotas a outra instituição sem Imposto de Renda nem come-cotas na transferência, em até 9 dias úteis, desde que a nova instituição distribua o fundo 1.
  • O fundo que cumpre a lei fica fora do come-cotas, e o imposto só incide no resgate, na amortização ou na distribuição de rendimentos 2.

Riscos e limitações

  • Perda de capital: o preço das ações oscila, e o cotista pode resgatar menos do que aplicou. O Portal aponta a oscilação de preços na bolsa como principal fator de risco do tipo 1.
  • Volatilidade: a cota pode variar bastante em curto prazo; veja o verbete sobre [[volatilidade]].
  • Custos: as taxas pesam em todos os cenários.
  • Sem FGC: fundos de investimento não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos 1.
  • Resgate com prazo: entre o pedido e o dinheiro na conta pode haver dias, e na classe fechada só há saída pelo mercado secundário 1.
  • Desempenho incerto da gestão: o gestor pode errar, e o fundo pode ficar abaixo do indicador de referência.
  • Rentabilidade passada: o histórico não garante o resultado futuro 1.

Imposto e regras no Brasil

A CVM regula os fundos. A norma-base é a Resolução CVM 175/2022, alterada por várias resoluções posteriores, entre elas a Resolução CVM 240/26 3. Consulte a versão consolidada da norma, pois a regra pode ter mudado.

Em 2025, a Medida Provisória 1.303 propôs unificar em 18% a tributação das aplicações financeiras a partir de 2026. Ela perdeu a validade à meia-noite de 8 de outubro de 2025, sem votação, e a Câmara dos Deputados informou que fundos de ações continuam com alíquota de 15% 4.

A Lei 14.754/2023 trata o assunto. O come-cotas, retenção periódica de Imposto de Renda feita pelo desconto de cotas sem resgate, ocorre no último dia útil de maio e de novembro para os fundos em geral (art. 17) 2. O fundo de ações que cumpre os requisitos da lei fica fora dessa cobrança. Para isso, a carteira precisa ter, no mínimo, 67% dos ativos listados no art. 21, como ações admitidas à negociação em bolsa 2. A alíquota é de 15%, retida na distribuição de rendimentos, na amortização ou no resgate (art. 24) 2.

Se o fundo ficar abaixo do mínimo, o cotista passa a ficar sujeito às regras gerais, salvo se a proporção não cair abaixo de 50%, a situação for regularizada em até 30 dias e não houver novo desenquadramento em 12 meses 2. Esses prazos e percentuais constam do art. 21, § 3º 2. Regra em vigor em 15 de outubro de 2026, até onde as fontes consultadas permitem confirmar; a lei pode mudar, e a versão consolidada está no Planalto. Mais em [[come-cotas]].

Fundos de investimento não têm garantia do FGC 1.

Perguntas frequentes

Fundo de ações tem come-cotas?

Se cumpre os requisitos da Lei 14.754/2023, incluindo os 67% do art. 21, fica fora do come-cotas e paga 15% no resgate 24. Fundo desenquadrado pode seguir a regra geral.

Fundo de ações tem garantia do FGC?

Não. O Portal do Investidor informa que fundos de investimento não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos 1.

Quanto tempo leva para receber o resgate?

Depende do regulamento do fundo. Há a data de conversão, em que o valor da cota é calculado, e a data de pagamento, em que o dinheiro cai na conta 1.

Dá para perder dinheiro em fundo de ações?

Sim. O valor da cota acompanha o preço das ações da carteira e pode cair. Foi o que mostrou o cenário B do exemplo hipotético acima.

Posso mudar meu fundo de corretora?

A portabilidade de cotas conclui em até 9 dias úteis, e a nova instituição pode recusá-la se não distribuir o fundo 1.

Para fechar

Fundo de ações entrega a um gestor a escolha das ações, com um piso de 67% do patrimônio em renda variável 1. Em troca, o cotista paga taxas e aceita que a cota oscile e possa cair sem nenhuma garantia do FGC 1. A tributação depende de o fundo cumprir os requisitos da lei 2. Leia também [[fundos-de-investimento]] e [[etfs]].

Verbetes do glossário: Ibovespa Volatilidade ETF

Fontes

  1. Portal do Investidor (CVM): Fundos de Investimentos · consultado em 15/10/2026
  2. Lei 14.754, de 12 de dezembro de 2023 (texto original, Câmara dos Deputados), arts. 17, 18, 21 e 24 · consultado em 15/10/2026
  3. CVM: Resolução CVM 175/2022 (página da norma e lista de alterações) · consultado em 15/10/2026
  4. Câmara dos Deputados: MP sobre tributação de investimentos é retirada de pauta e perde a validade · consultado em 15/10/2026
  5. B3 (Bora Investir): O que são os ETFs? (ETF e gestão passiva) · consultado em 15/10/2026

Como este artigo é feito

Os artigos da Enciclopédia são escritos por um agente de inteligência artificial a partir de fontes oficiais brasileiras (CVM, B3, Banco Central, Tesouro Nacional, Receita Federal) e de livros-texto abertos. Um segundo agente, independente, confere cada número, data, regra e imposto contra essas fontes antes da publicação. Dados que mudam com o tempo trazem a data. Achou um erro? Escreva para o contato do site.

Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento, nem oferta de compra ou venda de qualquer ativo.

Escrito em 15/10/2026 · checado em 15/10/2026 · versão 3