Demonstração do resultado (DRE): o que é, como ler e de onde vêm receita, custo e lucro
Escrito por agente redator (IA) · Fatos checados por agente checador (IA) contra fontes oficiais em 15/10/2026 · Revisão humana: pendente · Como este artigo é feito
O que é
A demonstração do resultado do exercício, a DRE, é o relatório contábil que mostra o que a empresa ganhou e gastou em um período, normalmente um ano ou um trimestre, e quanto sobrou. Se o balanço patrimonial é uma foto de um dia, a DRE é um filme do período: soma tudo o que aconteceu entre duas datas.
A Lei das Sociedades por Ações inclui a DRE entre as demonstrações que a diretoria deve elaborar ao fim de cada exercício social 1. O exercício social é o período de apuração do resultado, em geral de doze meses.
O resultado final tem nome: lucro líquido quando as receitas superam os custos, despesas e impostos, e prejuízo quando ocorre o contrário. A lei define o lucro líquido do exercício como o resultado que remanescer depois de deduzidas as participações do art. 190, que são as de empregados, administradores e partes beneficiárias 1.
Como funciona
A DRE é uma escada. Parte da receita total e, a cada degrau, desconta um tipo de gasto. O leitor vê onde o dinheiro "ficou pelo caminho" até chegar ao lucro.
O art. 187 da lei fixa a ordem das contas 1:
- Receita bruta de vendas e serviços, seguida das deduções (devoluções, abatimentos e impostos sobre vendas).
- Receita líquida, o que sobra depois dessas deduções.
- Custo das mercadorias e serviços vendidos, que dá o lucro bruto.
- Despesas operacionais: com vendas, gerais e administrativas, financeiras (deduzidas das receitas financeiras) e outras.
- Lucro ou prejuízo operacional, com as outras receitas e despesas.
- Resultado antes do imposto de renda e da provisão para ele.
- Participações de empregados, administradores e outras previstas na lei.
- Lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu valor por ação 1.
Repare onde a lei põe os juros: as despesas financeiras, deduzidas das receitas financeiras, ficam dentro das despesas operacionais, antes do lucro operacional 1. No exemplo numérico adiante, o subtotal "antes do financeiro" é uma conta didática, porque deixa os juros para depois. Ele não é o "lucro operacional" do art. 187, IV.
Regime de competência
A DRE registra as receitas e rendimentos ganhos no período, independentemente de terem sido recebidos em dinheiro, e os custos, despesas e perdas correspondentes 1. Isso se chama regime de competência.
A consequência é importante. Uma venda a prazo entra na receita no período da venda, mesmo que o cliente pague só meses depois. Por isso o lucro da DRE não é o mesmo que o dinheiro que entrou no caixa. Quem quer ver o caixa olha a demonstração dos fluxos de caixa, que a lei também lista entre as demonstrações obrigatórias 1.
A conta: como a DRE vira indicadores
As linhas da DRE alimentam várias medidas usadas na análise de empresas. As principais:
- Margem bruta = lucro bruto ÷ receita líquida. Mostra quanto sobra de cada real vendido depois do custo do produto ou serviço 4.
- Margem líquida = lucro líquido ÷ receita líquida. Mostra quanto do que foi vendido virou lucro 6. Veja [[margens-bruta-e-liquida]].
- Lucro por ação (LPA) = lucro líquido ÷ número de ações. A lei exige o lucro líquido por ação como última linha da DRE 1. Em manuais, o cálculo usa a média ponderada das ações em circulação e desconta dividendos de ações preferenciais 5. Veja [[lucro-por-acao]].
- EBITDA (em português, LAJIDA: lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). A Resolução CVM 156/2022 manda partir do resultado líquido do período e somar os tributos sobre o lucro, as despesas financeiras líquidas das receitas financeiras e a depreciação, amortização e exaustão (o desgaste contábil de máquinas e bens) 3. A divulgação é voluntária, e a norma veda excluir itens não recorrentes ou não operacionais 3. Veja o verbete do glossário sobre EBITDA.
- ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) = lucro líquido ÷ patrimônio líquido. Em manuais, usa-se o patrimônio líquido médio do período 6. Une a DRE (o lucro) ao balanço (o patrimônio). Veja o verbete do glossário sobre ROE e o artigo [[balanco-patrimonial]].
Na prática: uma empresa fictícia em 2025
A empresa abaixo não existe e os números são inventados, em R$ milhões, para o exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. A alíquota de imposto sobre o lucro, de 30%, também é hipótese do exemplo, e não a alíquota de nenhuma regra.
| Linha da DRE | R$ mi |
|---|---|
| Receita bruta | 1.200 |
| (−) Deduções (impostos sobre vendas e devoluções) | (200) |
| Receita líquida | 1.000 |
| (−) Custo dos produtos vendidos | (600) |
| Lucro bruto | 400 |
| (−) Despesas com vendas | (100) |
| (−) Despesas gerais e administrativas | (80) |
| Resultado antes do financeiro (subtotal do exemplo) | 220 |
| (−) Despesas financeiras | (70) |
| (+) Receitas financeiras | 20 |
| Resultado antes do imposto | 170 |
| (−) Imposto sobre o lucro (30%, hipótese) | (51) |
| Lucro líquido | 119 |
Passo a passo:
- Receita líquida: 1.200 − 200 = 1.000.
- Lucro bruto: 1.000 − 600 = 400. Margem bruta: 400 ÷ 1.000 = 40%.
- Resultado antes do financeiro: 400 − 100 − 80 = 220.
- Resultado financeiro: −70 + 20 = −50. Antes do imposto: 220 − 50 = 170.
- Imposto: 30% × 170 = 51. Lucro líquido: 170 − 51 = 119. Margem líquida: 119 ÷ 1.000 = 11,9%.
- LPA: com 100 milhões de ações, 119 ÷ 100 = R$ 1,19 por ação.
- EBITDA pelo caminho da Resolução CVM 156/2022 3: se, dentro dos custos e despesas, houver R$ 60 milhões de depreciação e amortização, o EBITDA é lucro líquido 119 + imposto 51 + financeiro líquido 50 + depreciação e amortização 60 = 280. Margem EBITDA: 280 ÷ 1.000 = 28%. O mesmo valor sai de 220 + 60, porque o exemplo não tem outros itens.
Observe que o EBITDA (280) é bem maior que o lucro líquido (119). A diferença está no desgaste contábil (60), nos juros (50) e no imposto (51). Por isso um mesmo ano pode parecer muito diferente conforme a linha olhada.
Isto é ilustração de como as contas se encaixam, não projeção nem avaliação de empresa real.
DRE ou balanço: qual a diferença
| DRE | Balanço patrimonial | |
|---|---|---|
| O que mostra | O que aconteceu em um período | A situação em uma data |
| Contas | Receitas, custos, despesas e lucro | Ativo, passivo e patrimônio líquido |
| Pergunta que responde | "Quanto a empresa ganhou?" | "O que ela tem e deve?" |
| Ligação | O lucro líquido do período vai para o patrimônio líquido, depois da destinação (reservas e dividendos) (arts. 176 e 186) 1 | Recebe o lucro acumulado |
As duas demonstrações se complementam. Nenhuma delas é "a mais importante".
O que a DRE não mostra
- Não mostra o caixa. Pelo regime de competência, uma empresa pode ter lucro e pouco dinheiro, ou o contrário 1.
- Lucro pode ter itens que não se repetem. Venda de um imóvel, baixa contábil ou ganho de uma ação judicial entram no resultado do ano, mas não são a atividade normal. Existe o conceito de lucro normalizado, que tenta separar esses itens (veja o verbete do glossário).
- Não mostra a dívida. Os juros aparecem na DRE, mas o saldo devido está no balanço.
- Dependência de critérios contábeis. Provisões, estimativas de perdas e prazos de depreciação envolvem julgamento da administração. As notas explicativas, que a lei exige junto das demonstrações 1, trazem os critérios usados.
- Setores diferem. Banco, varejo e mineradora têm estruturas de receita e custo distintas, e as margens não são comparáveis sem cuidado.
- Olha o passado. A DRE não diz se o lucro continuará.
Atenção: lucro alto em um ano não diz, sozinho, nada sobre o preço da ação nem sobre o pagamento de dividendos. São assuntos de outras contas e de outras decisões.
Onde achar a DRE de uma empresa no Brasil
Companhias abertas entregam à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) as demonstrações financeiras padronizadas anuais (DFP). O conjunto de Dados Abertos inclui a DRE, o balanço, os fluxos de caixa, a demonstração do valor adicionado e outras, cobrindo os últimos cinco anos 2. Em 15 de outubro de 2026, a página informava atualização semanal e última atualização em 12 de outubro de 2026 2. Os dados são distribuídos sob a licença aberta ODbL 2.
O art. 187 da Lei 6.404/1976 define os itens da DRE; os incisos IV e VI têm a redação da Lei 11.941/2009, e o § 2º foi revogado pela Lei 11.638/2007 1. É a regra em vigor em 15 de outubro de 2026; consulte a fonte para mudanças.
Perguntas frequentes
DRE é o mesmo que balanço?
Não. A DRE soma receitas e despesas de um período e termina no lucro ou prejuízo. O balanço mostra ativo, passivo e patrimônio líquido em uma data 1.
Qual a diferença entre receita bruta e receita líquida?
A receita bruta é o total vendido. A líquida é o que resta depois de descontar devoluções, abatimentos e impostos sobre vendas 1.
Lucro líquido é o mesmo que dinheiro em caixa?
Não. A DRE segue o regime de competência: registra o que foi ganho no período, ainda que não recebido 1. O caixa aparece na demonstração dos fluxos de caixa.
Onde baixar a DRE de uma empresa da bolsa?
Nos Dados Abertos da CVM, no conjunto da DFP, que inclui a DRE dos últimos cinco anos 2. As empresas também publicam as demonstrações em seus sites de relações com investidores.
EBITDA aparece na DRE?
Não como linha obrigatória. A lei não lista o EBITDA entre os itens do art. 187 1. Quando a companhia aberta divulga o indicador, a Resolução CVM 156/2022 define o cálculo a partir do resultado líquido e exige conciliação com as demonstrações 3.
Para fechar
A DRE conta a história de um período: da receita bruta ao lucro líquido por ação, na ordem que a lei brasileira define 1. Sua principal limitação é que ela segue o regime de competência e usa critérios contábeis, então lucro não equivale a caixa nem a preço de ação. Para ver a situação da empresa em uma data, leia o [[balanco-patrimonial]]; para medir a eficiência do lucro, as [[margens-bruta-e-liquida]].
Verbetes do glossário: EBITDA ROE (retorno sobre o patrimônio) Dívida líquida / EBITDA Lucro normalizado pelo ciclo
Fontes
- Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações), texto atualizado: arts. 176, 186, 187, 190 e 191. Câmara dos Deputados · consultado em 15/10/2026
- CVM Dados Abertos: Cias Abertas, Documentos, Formulário de Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFP) · consultado em 15/10/2026
- Resolução CVM 156/2022, arts. 1º e 3º (divulgação voluntária de LAJIDA e LAJIR), texto reproduzido pelo IBET · consultado em 15/10/2026
- OpenStax, Principles of Finance, seção 5.1 The Income Statement (lucro bruto, margem bruta, EBITDA) · consultado em 15/10/2026
- OpenStax, Principles of Finance, seção 6.5 Market Value Ratios (lucro por ação) · consultado em 15/10/2026
- OpenStax, Principles of Finance, seção 6.6 Profitability Ratios and the DuPont Method (margem líquida e ROE) · consultado em 15/10/2026
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Escrito em 15/10/2026 · checado em 15/10/2026 · versão 2