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Curva de juros: o que é, como funciona e como ler

Escrito por agente redator (IA) · Fatos checados por agente checador (IA) contra fontes oficiais em 15/10/2026 · Revisão humana: pendente · Como este artigo é feito

O que é

A curva de juros é a relação entre o prazo e a taxa de juros. Em vez de uma só taxa, ela mostra várias: o que o mercado cobra para emprestar dinheiro por 3 meses, 1 ano, 5 anos, 10 anos. Desenhada num gráfico, com o prazo na horizontal e a taxa na vertical, forma uma linha: a curva.

O nome técnico é estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ). A Anbima, associação das instituições do mercado financeiro, estima e publica a ETTJ prefixada, a ETTJ ligada ao IPCA e a inflação implícita, cada uma com data de referência 7. O IPCA é o índice que mede a inflação ao consumidor no país.

Cada curva vale para um emissor e um tipo de taxa. A curva do governo brasileiro em reais não é a do governo americano nem a de uma empresa. Comparar curvas exige saber de qual se fala.

Como funciona

Uma taxa de juros depende do prazo porque emprestar por mais tempo carrega mais incerteza: sobre a inflação, sobre a política do Banco Central e sobre o próprio emissor. Por isso a taxa de um prazo longo costuma embutir três coisas:

  • a expectativa de juros curtos no caminho: se o mercado espera Selic menor nos próximos anos, isso puxa as taxas longas para baixo;
  • a expectativa de inflação, nas taxas em reais sem correção;
  • um prêmio pelo risco e pela espera, que varia com o momento.

Os três itens se sobrepõem em parte: numa taxa em reais sem correção, a expectativa de Selic já carrega a de inflação.

Não existe um único contrato que revele a curva inteira. Ela é montada com preços de vários instrumentos. Um deles é o contrato futuro de DI1, negociado na B3. Ele tem como base a taxa DI, a taxa média dos empréstimos de um dia entre bancos (os depósitos interfinanceiros), acumulada até o vencimento. A cotação é uma taxa efetiva anual, na base de 252 dias úteis, e o contrato vale R$ 100.000 no vencimento 4. Há contratos com vencimento em todos os meses 4. Cada vencimento é negociado como uma taxa anual para aquele prazo 4.

Os títulos públicos prefixados do Tesouro Nacional também dão pontos. O Tesouro Prefixado tem a rentabilidade definida na compra 5 e paga R$ 1.000,00 brutos por título no vencimento, isto é, antes de Imposto de Renda e taxa de custódia 8. Quem vende antes recebe o preço de mercado: o Tesouro recompra o título pelo valor de mercado, e o saldo cai se os preços caem e sobe se o título se valoriza 8.

A Anbima estima a curva com um modelo matemático cujos parâmetros ela publica. A mesma página traz uma tabela de erro título a título, com LTN, NTN-F e NTN-B, que são títulos públicos federais 7. O Tesouro dos EUA faz algo parecido para os Treasuries: estima a curva a cada dia com um método de interpolação (spline monótona convexa), a partir de preços dos títulos mais recentemente leiloados 3. O método é outro, mas a ideia é a mesma: transformar preços de alguns vencimentos numa linha contínua.

As duas contas para ler a curva

Duas contas ajudam a ler a curva. Ambas usam juros compostos.

1. Preço de um título prefixado a partir da taxa de mercado

Preço = Valor no vencimento ÷ (1 + taxa)^anos

  • Valor no vencimento: R$ 1.000,00 brutos no Tesouro Prefixado 8.
  • Taxa: a taxa anual de mercado para aquele prazo.
  • Anos: o prazo até o vencimento. Nas convenções brasileiras de DI1, a contagem usa dias úteis divididos por 252 4.

Quando a taxa de mercado sobe, o preço cai, porque o mesmo valor final é descontado por uma taxa maior. Quando a taxa cai, o preço sobe.

2. Taxa a termo (o que a curva "embute" entre dois prazos)

(1 + taxa de 2 anos)² = (1 + taxa de 1 ano) × (1 + taxa a termo do 2º ano)

A taxa a termo do segundo ano é a taxa que, aplicada depois do primeiro ano, faria o resultado de duas aplicações se igualar. É uma forma de ler a expectativa embutida: ela vale para o período futuro, não para hoje.

Na prática: a curva brasileira em outubro de 2026

Pontos da curva da Anbima

Em 14 de outubro de 2026, a ETTJ da Anbima trazia, entre outros, estes vértices (prazos em dias úteis; 252 dias úteis equivalem a cerca de 1 ano e 1.008 a cerca de 4 anos) 7:

PrazoETTJ prefixadaETTJ IPCA (taxa real)Inflação implícita
252 dias úteis12,7390%6,2389%6,1183%
1.008 dias úteis12,6927%6,7899%5,5274%

A meta da Selic estava em 13,75% ao ano em 15 de outubro de 2026, depois de cair de 14,00%, com a nova meta valendo a partir de 17 de setembro de 2026 1. Nos dois vértices, a taxa prefixada estava abaixo da Selic, e a de 4 anos ficava ligeiramente abaixo da de 1 ano 7. Era, nesses dois pontos, uma curva que não subia com o prazo.

Expectativas do Focus

No Boletim Focus de 9 de outubro de 2026, a mediana das projeções para a Selic ao fim de cada ano era 2:

Fim do anoSelic projetada (mediana Focus, 09/10/2026)
202613,25%
202712,00%
202810,50%
202910,00%
203010,00%

Essa é a projeção de analistas pesquisados pelo Banco Central, não a curva em si. Mas mostra o tipo de expectativa que as taxas dos prazos mais longos refletem: um caminho de queda da Selic.

A conta do preço

Para ver a conta do preço, use números hipotéticos (não são taxas de mercado): um título prefixado de R$ 1.000 brutos no vencimento, com 2 anos até o fim.

  • Com taxa de 14% ao ano: R$ 1.000 ÷ 1,14² = R$ 1.000 ÷ 1,2996 = R$ 769,47.
  • Se a taxa de mercado sobe para 15%: R$ 1.000 ÷ 1,15² = R$ 1.000 ÷ 1,3225 = R$ 756,14.

A diferença é de R$ 13,33, ou 1,73% do preço. Quem vendesse nesse dia receberia o preço menor. Quem esperasse o vencimento receberia os R$ 1.000 brutos, antes do Imposto de Renda e da taxa de custódia 8.

Para a taxa a termo, ainda com números hipotéticos: taxa de 1 ano a 13% e de 2 anos a 14%. A conta é 1,14² ÷ 1,13 = 1,2996 ÷ 1,13 ≈ 1,1501. A taxa a termo do 2º ano é de cerca de 15,01% ao ano, maior que a de 2 anos, porque a taxa de 2 anos é uma média (geométrica) do 1º e do 2º anos.

Os números hipotéticos são ilustrações, não projeções. Os vértices da Anbima e as medianas do Focus são dados de uma data e mudam.

Tipos de curva: prefixada, real e de outros países

  • Curva prefixada (ou nominal): taxas em reais, sem correção por índice. A Anbima publica a ETTJ prefixada 7. Os contratos de DI1 também são negociados como taxa anual para cada vencimento 4.
  • Curva de juros reais (ligada ao IPCA): a taxa acima da inflação, publicada pela Anbima como ETTJ IPCA 7. O Tesouro IPCA+ rende a variação do IPCA mais uma taxa prefixada de juros 10. Tem verbete próprio: [[juro-real]].
  • Inflação implícita: a inflação que iguala, no mesmo prazo, o rendimento prefixado ao rendimento real. A conta é (1 + taxa prefixada) ÷ (1 + taxa real) − 1, e não uma subtração simples. Em 14 de outubro de 2026, para 252 dias úteis, a Anbima calculava 12,74% prefixado, 6,24% real e 6,12% de inflação implícita 7. Conferindo: 1,12739 ÷ 1,06239 − 1 ≈ 6,12%. É uma estimativa, não um dado oficial de inflação.
  • Curva de outro país: a dos Treasuries é a mais citada. O Tesouro dos EUA a divulga todo dia útil 3.

Formas que a curva assume

  • Inclinada para cima (normal): taxas longas acima das curtas.
  • Plana: taxas parecidas em todos os prazos.
  • Invertida: taxas curtas acima das longas. É o que o mercado costuma descrever como expectativa de juros menores à frente, mas também pode refletir outros fatores.

Em 14 de outubro de 2026, o Treasury de 2 anos estava a 4,82% ao ano e o de 10 anos a 5,19% 3. Essa era, portanto, uma curva americana levemente inclinada para cima entre esses dois prazos. A diferença, 0,37 ponto percentual, equivale a 37 pontos-base (bps).

Curva de juros ou Selic: o que muda

Curva de juros e Selic são confundidas com frequência.

SelicCurva de juros
O que éUma taxa: a meta fixada pelo CopomVárias taxas, uma para cada prazo
Quem defineBanco Central (Copom)O mercado, pelos preços negociados
MudaA cada decisão do CopomTodo dia, a cada negociação
MostraO juro de curtíssimo prazo hojeA expectativa e o prêmio para vários prazos

A Selic é um ponto de partida da curva, não a curva inteira. Em 15 de outubro de 2026, a meta era 13,75% ao ano 1.

O que a curva mostra e o que ela não garante

O que a curva oferece

  • Reúne em um gráfico a expectativa do mercado para vários prazos.
  • É formada por preços negociados, de muita gente com dinheiro em jogo, e não por opinião de uma pessoa.
  • É pública e vem com data de referência, como a ETTJ da Anbima 7 e a curva do Tesouro dos EUA, divulgada todo dia útil 3.
  • Ajuda a entender por que o preço de um título prefixado muda de um dia para o outro.

Seus limites e riscos

  • Não é previsão. A curva mistura expectativa com prêmio de risco. Não dá para separar as duas partes com certeza.
  • Muda rápido. Uma notícia sobre inflação, contas públicas ou juros externos pode mover a curva em um dia.
  • Depende de modelo. A linha contínua é uma estimativa feita com um método matemático; instituições diferentes usam métodos diferentes e podem divulgar curvas ligeiramente diferentes 37.
  • Sinal imperfeito. Uma curva invertida ou inclinada não garante o que vem depois na economia.
  • Risco de preço para quem usa os títulos. Quando a taxa de mercado sobe, o preço de um título prefixado cai, e vender antes do vencimento pode render menos que o contratado 8. Isso é perda de capital possível.

Quem calcula, negocia e fiscaliza no Brasil

  • Banco Central: o Copom define a meta da Selic, o ponto de partida da curva de curto prazo 1.
  • B3: é a bolsa onde os contratos de DI1 são negociados 4. As bolsas têm autonomia, mas operam sob a supervisão da CVM e fiscalizam seus membros como órgãos auxiliares dela 9.
  • CVM (Comissão de Valores Mobiliários): a Lei 6.385/1976 lhe dá a tarefa de disciplinar e fiscalizar, entre outras atividades, a negociação de derivativos e a organização das bolsas 9.
  • Tesouro Nacional: emite os títulos públicos prefixados vendidos no Tesouro Direto 58.
  • Anbima: associação privada de instituições do mercado. Não é órgão do governo; faz autorregulação, com códigos e supervisão das instituições que aderem a eles 12. Divulga a ETTJ 7. Em março de 2026, a página de curvas de fechamento informava que elas passariam a ficar disponíveis apenas no ANBIMA Data 6.

Sobre o Imposto de Renda nos títulos do Tesouro Direto, a regra em vigor em 15 de outubro de 2026 era regressiva pelo prazo: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias (Lei 11.033/2004, art. 1º, I a IV) 11. Há ainda taxa de custódia da B3 de 0,2% ao ano nos títulos Selic, IPCA e Prefixado, com isenção para o Tesouro Selic até R$ 10 mil por CPF 8. Consulte a fonte para mudanças. Mais detalhes em [[tesouro-prefixado]] e [[marcacao-a-mercado]].

Perguntas frequentes

O que significa curva de juros invertida?

É quando as taxas de prazos curtos estão acima das de prazos longos. Em geral, é lida como sinal de que o mercado espera juros menores à frente, mas a leitura é uma interpretação, e não uma regra.

A curva de juros prevê a Selic?

Não. Ela reflete as expectativas do mercado mais um prêmio de risco. O Banco Central pesquisa as projeções de analistas no [[boletim-focus]], que é outra coisa 2.

Onde ver a curva de juros brasileira?

A Anbima publica a ETTJ, com data de referência, na página de estrutura a termo 7. A página de curvas de fechamento avisa que elas ficarão no ANBIMA Data 6. Os contratos de DI1 e seus preços ficam no site da B3 4.

Por que o preço de um título prefixado cai quando a taxa de mercado sobe?

Porque o título paga um valor fixo no vencimento, e esse valor é trazido a valor presente por uma taxa maior. O efeito aparece em quem vende antes do vencimento 8.

Qual a diferença entre a curva do Brasil e a dos Estados Unidos?

Cada uma reflete o emissor, a moeda e as expectativas de seu país. Em 14 de outubro de 2026, os Treasuries de 2 e de 10 anos estavam em 4,82% e 5,19% ao ano 3, enquanto a Selic estava em 13,75% 1.

Para fechar

A curva de juros mostra, num só gráfico, o que o mercado cobra de juros em cada prazo, e por isso aparece tanto em notícia. Ela resume expectativas e prêmios, mas não prevê o futuro, e seu desenho muda todos os dias. Para os termos de base, veja [[selic]] e [[ipca]].

Verbetes do glossário: Curva de juros Selic Copom IPCA Pontos-base (bps) Boletim Focus Treasuries (juros dos EUA) Juro real

Fontes

  1. Banco Central do Brasil, Sistema Gerenciador de Séries Temporais: série 432, meta da taxa Selic definida pelo Copom · consultado em 15/10/2026
  2. Banco Central do Brasil, Expectativas de Mercado (Focus), API Olinda: Selic, medianas anuais em 09/10/2026 · consultado em 15/10/2026
  3. Tesouro dos EUA: taxas diárias da curva de juros dos Treasuries (outubro de 2026) · consultado em 15/10/2026
  4. B3: Futuro de Taxa Média de Depósitos Interfinanceiros de um dia (DI1) · consultado em 15/10/2026
  5. Tesouro Direto: Tesouro Prefixado · consultado em 15/10/2026
  6. Anbima: Curvas de Juros, Fechamento (aviso de migração para o ANBIMA Data, publicado em 17/03/2026) · consultado em 15/10/2026
  7. Anbima: Estrutura a Termo das Taxas de Juros Estimada (ETTJ PRE, ETTJ IPCA e inflação implícita) · consultado em 15/10/2026
  8. Tesouro Direto: Regras e regulamento · consultado em 15/10/2026
  9. Lei 6.385/1976 (CVM e mercado de valores mobiliários), arts. 1º e 17 · consultado em 15/10/2026
  10. Tesouro Direto: Tesouro IPCA+ · consultado em 15/10/2026
  11. Lei 11.033/2004, art. 1º, I a IV (versão atualizada, Câmara dos Deputados) · consultado em 15/10/2026
  12. Anbima: Autorregulação (códigos e supervisão) · consultado em 15/10/2026

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Escrito em 15/10/2026 · checado em 15/10/2026 · versão 4